Ações emergenciais

Com o apoio da BHP Billiton e da Vale, a Samarco se mobilizou, desde o rompimento da barragem de Fundão, para prestar assistência às comunidades impactadas, para reinstalar a população desabrigada, apoiar a busca por desaparecidos e prestar esclarecimentos às autoridades e ao poder público. A Samarco reconhece sua obrigação legal e moral de mitigar, compensar e remediar os impactos gerados à população mineira e à capixaba.

Realocação daqueles que perderam seus lares, distribuição de água potável e mineral, resgate de animais, atendimento psicossocial e restabelecimento de acessos danificados, entre outros, foram as frentes de trabalho da ação emergencial. A seguir, a Empresa apresenta um balanço das ações realizadas até a data em que a Fundação Renova assumiu a gestão dos programas de reparação, em agosto de 2016. Após esse período, consultar o site www.fundacaorenova.org.

Balanço das ações (dados até agosto/2016)

As famílias que perderam suas residências foram instaladas em casas ou acomodações.

7.705

cartões de auxílio-financeiro emergencial entregues para mais de 16 mil pessoas, entre titulares e dependentes.

7 pontes

danificadas foram reconstruídas em 90 dias (uma a cada 15 dias).

Reconstrução

As famílias de Bento Rodrigues, Gesteira e Paracatu de Baixo escolheram o local para reconstrução da comunidade. Uma instituição do terceiro setor (Caritas), indicada pelo Ministério Público Federal e pela comunidade, dará suporte técnico aos moradores em todo o processo de reassentamento e indenização.

120

pontos de monitoramento da água, dos quais 38 no Rio Doce, 11 em afluentes de rio, 31 referentes a marinho, 26 referentes a turbidez e mais 14 em Bento Rodrigues e ETAs de Governador Valadares.

818

alunos das comunidades impactadas na região de Mariana e Barra Longa concluíram o ano letivo de 2015 e iniciaram o ano letivo de 2016 em dia, conforme o calendário escolar.

835

hectares revegetados emergencialmente nos municípios de Mariana, Barra Longa, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, a fim de controlar processos de erosão e carreamento de sólidos com as chuvas.

Acomodação das famílias

 As famílias de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, em Mariana, e Barra Longa, que tiveram impactos em suas residências, foram acomodadas em casas alugadas e equipadas pela Samarco. A transferência para as novas moradias seguiu os critérios e priorizações definidos pela Comissão de Representantes das Comunidades Impactadas e pela Secretaria de Ação Social, com acompanhamento do Ministério Público. As novas casas receberam móveis, eletrodomésticos, utensílios e enxoval. Antes da mudança, a Empresa fez uma compra de itens, entre alimentos, água e materiais de higiene pessoal. Em Barra Longa, esses itens chegaram via doações.

Reuniões com comunidades 

Foram organizadas de duas a cinco reuniões por semana com representantes das comunidades, junto do Ministério Público de Minas Gerais e outros órgãos competentes. O objetivo foi ouvir a opinião dos diretamente impactados e envolvê-los nas decisões, com participação direta da comunidade no planejamento das ações. Além das equipes de diálogo de campo, foram instalados postos de atendimento em Minas Gerais (Mariana, Galileia, Tumiritinga, Itueta, Barra Longa e Santa Cruz do Escalvado) e no Espírito Santo (Baixo Guandu, Marilândia, Colatina – desativado no início de fevereiro de 2016 – e Linhares – desativado em junho de 2016). Também foi criado um canal de relacionamento (assistencia.es@samarco.com) para receber manifestações de moradores das cidades capixabas, complementar à Central de Relacionamento e à Ouvidoria. O Facebook da Empresa também serviu como canal de relacionamento e prestação de esclarecimentos.

Auxílio financeiro

7.705 cartões de auxílio-financeiro emergencial foram distribuídos para mais de 18 mil pessoas, entre titulares e dependentes, em Minas Gerais e Espírito Santo, até agosto de 2016. O auxílio contempla o pagamento mensal de um salário mínimo para cada pessoa do núcleo familiar que tenha perdido renda por atividade laborativa, em decorrência direta do rompimento da barragem, mais um adicional de 20% do salário mínimo para cada um dos dependentes, além do valor correspondente a uma cesta básica.

Povos indígenas G4-MM6, G4-MM7

Em função do rompimento da barragem de Fundão, a Samarco passou a se relacionar com povos indígenas que antes não faziam parte de comunidades em sua área direta de influência.  Em Minas Gerais, na região de Resplendor, o povo Krenak vive em território tradicional às margens do rio Doce e, em função das medidas emergenciais relacionadas à utilização da água, recebe água potável para consumo humano e água bruta para dessedentação animal. São fornecidos 3 mil litros de água mineral diariamente, além do abastecimento de 140 caixas d'agua de 2.000 litros a cada dois dias.  

Na busca por um atendimento mais estruturado e permanente para captação e distribuição de água, a Samarco, juntamente com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e o povo Krenak, estuda alternativas viáveis. Além disso, foram feitos o pagamento mensal de 9 salários mínimos por família, a aquisição de sal mineral, silagem e ração, a compra de 2 barcos, apoio de R$20.000,00 para saúde, o fornecimento de 100 bebedouros com fornecimento diário de água e a instalação de cerca ao longo do Rio Doce.

O atendimento emergencial ao povo Krenak, em Minas Gerais, e aos povos Tupiniquim e Guarani das terras indígenas Tupiniquim, Caieiras Velha II e Comboios, no município de Aracruz (ES), é realizado por programas emergenciais baseados em três pilares fundamentais: segurança hídrica, segurança alimentar e segurança financeira. Desde junho de 2016, a Samarco apoia financeiramente 915 famílias Tupiniquim e Guarani. Em Vila do Riacho, também município de Aracruz (ES), entre o rio Comboios e o mar, vive o povo Tupiniquim da Terra Indígena (TI)  Comboios. O abastecimento de água desta comunidade não foi afetado em função do acidente, mas, em função da restrição da pesca até a Barra do Riacho, ela recebe por apoio emergencial dois salários mínimos e meio, 20% para cada dependente e cesta básica. O apoio aos Tupiniquim dessa TI ocorre desde março de 2016. No âmbito do cumprimento do Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTAC), a Samarco recebeu o Termo de Referência (TR) enviado pela FUNAI que tem o objetivo de orientar os estudos de impacto nas terras indígenas citadas. Em reunião específica com a FUNAI, a Empresa já apresentou a consultoria técnica contratada para elaborar os estudos e em breve iniciará os trabalhos de campo, com início previsto para 2017.

Os estudos têm como principal resultado identificar os impactos ambientais, socioculturais e econômicos dos territórios e o modo de vida dessa população e construir, de forma participativa, os programas permanentes (conforme o TTAC – Programa específico voltado à recuperação e à melhoria de qualidade de vida da população indígena) que devem dialogar com o restabelecimento das funções sistêmicas da bacia do rio Doce.

Quanto aos mecanismos de participação, com acompanhamento da FUNAI, a Fundação Renova apresentará aos povos indígenas uma proposta de construção de um Plano de Diálogo. Este instrumento propõe aos povos Krenak, Tupiniquim e Guarani construir documento oficial que apresente suas regras e leis comunitárias, para que o relacionamento com a Empresa preze pela ampla participação da comunidade nas ações e nos programas, por meio do diálogo intercultural marcado por boa-fé e pelo respeito aos direitos dos povos indígenas de participar das decisões que os afetam com efeito vinculante, ao levar o Estado e a Empresa a incorporar o que se dialoga na tomada de decisão. O instrumento será norteado pelas diretrizes da Convenção 169 da OIT sobre Povos Indígenas e Tribais, que é lei no Brasil desde 2004 (Decreto Presidencial 5.051).

Saúde

A Samarco disponibilizou insumos hospitalares, medicamentos e equipamentos médicos, além de diversos profissionais de saúde (mais de 100 profissionais – médicos, psicólogos e outros) para atendimento às comunidades impactadas de Mariana e Barra Longa (MG). Atualmente, alguns profissionais continuam atuando em Mariana e outros em Barra Longa. No primeiro semestre de 2016, também foram disponibilizados agentes de saúde de endemias que atuaram, principalmente, no combate aos focos do mosquito da dengue nos municípios de Mariana, Barra Longa e Governador Valadares, em Minas Gerais, e Colatina, no Espírito Santo. As ações de saúde foram realizadas em parceria com o poder público municipal.

Indenização de familiares e impactados

As famílias que perderam parentes receberam cuidados desde a confirmação do desaparecimento das vítimas. Profissionais especializados da área psicossocial, experientes em situações de risco, deram apoio aos familiares. Além do apoio psicológico, a Empresa arcou com todos os custos de documentação e sepultamento e, no caso dos empregados terceirizados, fez a acomodação de pessoas não pertencentes à região e o complemento financeiro ao seguro de vida, para cobrir o custo de despesas funerárias. Os familiares das vítimas já receberam antecipação de indenização, em razão do óbito.

Em novembro de 2016, foi criado o Programa de Indenização Mediada (PIM), aberto a todos as pessoas e micro e pequenas empresas que tenham sofrido danos materiais ou morais, bem como perdas referentes às suas atividades econômicas. A adesão é voluntária e gratuita. Para promover a abrangência do programa e a proximidade junto às áreas impactadas, a Fundação Renova criou 14 centros de atendimento distribuídos ao longo dos dois estados (MG e ES).

Nestes locais, os moradores impactados serão atendidos e poderão expor suas demandas, para que a Fundação Renova realize a avaliação de cada caso, com base nos critérios do Programa.

Ocupação, trabalho e renda G4-EC8

A Samarco era, até 2015, responsável por parte das receitas de municípios onde está inserida; os impostos gerados diretamente pela operação são importantes para municípios como Mariana (MG) e Anchieta (ES), pertencentes à Área de Influência Direta (AID) da Empresa. Com o rompimento da barragem de Fundão, a Empresa também impactou de diferentes formas as economias da bacia do rio Doce.

Ciente disso, a Empresa apoiou a criação de uma frente de trabalho para ocupação, trabalho e renda, visitando famílias impactadas para levantar perfis profissionais e desenvolver projetos de reinserção.  Adicionalmente, a frente de ocupação trabalho e renda também atuou na recuperação de pequenos negócios, com foco no retorno operacional. No total, 285 processos foram considerados, dos quais 249 já foram finalizados.

Educação

Buscou-se agilizar o retorno de alunos impactados pelo rompimento da barragem às atividades escolares. O retorno às aulas começou 11 dias após o rompimento e, em 2016, 818 dos estudantes de Barra Longa, Bento Rodrigues e Paracatu voltaram às atividades escolares no prazo previsto do calendário, recebendo kits escolares. Espaços foram reformados e foi ofertado transporte escolar (por medida judicial), material didático a professores e apoio psicológico para docentes e discentes.

Obras e infraestrutura G4-EC7

A Samarco promoveu a limpeza e a reforma de escolas, imóveis (residenciais e comerciais), áreas públicas e está realizando a dragagem dos rejeitos retidos no reservatório da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga). No total, nove pontes de acesso às comunidades foram reconstruídas e liberadas para tráfego, uma a cada 15 dias. Em Barra Longa, até outubro de 2016, 95  de 112 casas foram reformadas e 17 encontram-se com reparos em andamento; 31  de 36 estabelecimentos comerciais passaram por reforma e 5 estão em andamento; e os trabalhos de limpeza e reconstrução de espaços públicos da cidade continuam em 2017. No dia 30 de outubro de 2016, a Samarco realizou a entrega da praça Manoel Lino Mol e da alameda Beira Rio, espaços públicos que foram impactados pelo rompimento da barragem de Fundão. Após essa data, foi feita a transição das atividades em andamento para a Fundação Renova.

Para reconstruir a praça de acordo com os anseios da comunidade de Barra Longa, a Samarco fez reuniões abertas, entre fevereiro e março de 2016, para colher as opiniões de crianças, jovens, adultos e idosos, comerciantes e poder público. Cerca de 200 pessoas participaram desse processo.

O projeto arquitetônico manteve a identidade da praça, ao mesmo tempo em que houve melhorias de infraestrutura e paisagismo e a instalação de um parque infantil e academia ao ar livre. Foram construídas novas redes de drenagem pluvial, as calçadas receberam pavimentação moderna e a rede elétrica foi recuperada. A iluminação pública será proporcionada por 61 luminárias de LED, instaladas na praça e na alameda Beira Rio.

A limpeza do reservatório da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga), em Santa Cruz do Escalvado (MG), baseia-se em acordo judicial firmado em 6 de fevereiro de 2016 entre a Samarco, o Ministério Público de Minas Gerais e o governo de Minas Gerais. A estrutura recebeu cerca de 10,5 milhões de m³ de rejeitos após o rompimento da barragem de Fundão e está passando por dragagem, a fim de garantir a segurança do reservatório, o enchimento do lago e consequentemente viabilizar o retorno das operações da hidrelétrica. A implantação das medidas de dragagem foi ratificada no âmbito do TTAC.

Em julho de 2016, intensificou-se a dragagem dos primeiros 400 metros do reservatório. Até o final de novembro de 2016, cerca de 600 mil m3 de rejeitos foram dragados de Candonga. Eles estão sendo dispostos em áreas licenciadas e autorizadas pelos órgãos competentes, havendo a necessidade de se viabilizarem áreas de depósito. Após o final da dragagem, essas áreas serão recuperadas e revegetadas com espécies de plantas nativas da região. Em função do carreamento de ssedimentos, o resultado líquido da dragagem foi de cerca de 200 mil m³.

Paralelamente, foram adquiridas três fazendas à jusante da hidrelétrica a aproximadamente 3,6km de distância, para disposição de sedimentos dragados, áreas também autorizadas e devidamente licenciadas. Este complexo de disposição, composto das três fazendas, denomina-se Fazenda Floresta. Atualmente, estão sendo desenvolvidas as investigações geotécnicas da área para fundamentar a engenharia dos diques, pilhas e demais estruturas necessárias para transportar e desaguar os sedimentos.

Como plano de mitigação para contenções de sedimentos do rio Doce, será feita a implantação de três barreiras metálicas. A primeira será cravada a 400 metros a montante da barragem de Candonga, com previsão de conclusão em meados de 2017. A segunda barreira, concluída em março de 2017, foi executada a 5,1 km à montante da barragem da UHE Risoleta Neves. A terceira está em estudos para implantação a 6,4km à montante da barragem da UHE Risoleta Neves, com previsão de conclusão para o segundo semestre de 2017.

Propriedades rurais G4-EC7

Um dos planos iniciados como resposta aos impactos socioambientais dos rejeitos é o Plano de Restabelecimento do Agronegócio, que abrange 172 propriedades rurais mapeadas para receber apoio e, assim, retomar sua atividade (até abril de 2016). Zootécnicos, engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas foram contratados para realizar a análise de solo, o preparo e a correção de terrenos das propriedades. Entre as medidas adotadas na recuperação está a instalação de cercas. No total, próximo de 198 mil metros (até outubro de 2016) de cercas já foram erguidos nas propriedades rurais impactadas entre Mariana e Candonga.

Animais

A Samarco assistiu 5.639 animais desde novembro de 2015 a julho de 2016. Animais de grande porte foram encaminhados para fazendas de Mariana e Acaiaca. Animais reconhecidos foram devolvidos aos seus responsáveis – e outros esperam, sob guarda da Fundação Renova, reassentamento das famílias ou adequações das propriedades de origem. Foram distribuídos insumos para animais de 11 comunidades (Barra Longa, Pedras, Barretos, Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Camargos, Ponte do Gama, Campinas, Mariana, Bento Rodrigues e Águas Claras), totalizando mais de 5.500 toneladas.  

Com apoio de ONGs de proteção animal, a Empresa realizou uma ação para a adoção de cães e gatos resgatados na região impactada pelo rompimento de Fundão. Cerca de 90% dos animais encontraram um lar. Mais informações no site www.fundacaorenova.org.

Patrimônio religioso

Foram resgatados cerca de 2 mil bens arquitetônicos de igrejas, como peças sacras, documentos e tecidos das capelas de São Bento e Nossa Senhora das Mercês (Bento Rodrigues), Santo Antônio (Paracatu de Baixo) e Nossa Senhora da Conceição (Gesteira). Mais de 280 pessoas foram capacitadas para atuar em atividades de resgate, incluindo membros da comunidade.

Trabalho de restauração de peças sacras.

Acesso à água: ações emergenciais G4-EC7

Um ponto crítico do impacto em comunidades da bacia do rio Doce após o rompimento da barragem de Fundão foi a afetação temporária do abastecimento de água. Ainda em 2015, ele foi restabelecido nas cidades impactadas.

Nos meses subsequentes, diversas medidas foram tomadas para garantir o acesso à água ao longo do rio Doce, como a construção de adutoras e a perfuração de poços. Também foi feita a distribuição de água para algumas famílias ribeirinhas, como em Linhares (ES). Além dessas ações, diálogos estão sendo realizados em diversos municípios e com o Comitê Interfederativo, que coordena a implantação do TTAC, para a implementação de sistemas de abastecimento alternativo de água, caso de Linhares (ES) e Colatina (ES) – onde as obras já estão em andamento –, Governador Valadares e Resplendor (MG).

Abaixo, as ações por município:

Acesso à água: período de chuvas 2016/2017 G4-EC7

A Samarco desenvolveu ações preventivas para diminuir o risco de desabastecimento de água durante o período de chuvas nos municípios impactados pelo rompimento de Fundão. Outro ponto crítico é o risco de enchentes e da alteração do aspecto dos rios afetados. A atuação foi intensificada com a elaboração de um plano específico para tratar a prevenção e a preparação de contingências. O documento tem sido compartilhado com órgãos ambientais, poder público e Defesa Civil.

O plano prevê ações para lidar com a possibilidade de alagamento e danos a moradias, imóveis comerciais e propriedades rurais; obstrução de estradas e ruas; falta de energia elétrica; e prejuízo à fonte de renda. Para cada risco existente, estão previstas ações de resposta aos impactos e contingência dos danos. Melhorias serão implantadas de acordo com o andamento e com os aprendizados da execução do plano, que busca minimizar os riscos ao máximo e garantir o bem-estar da população.

Conheça

Todas as ações atualizadas para o período chuvoso em www.fundacaorenova.org/periodo-chuvoso

Ações ambientais

O rompimento da barragem de rejeitos de Fundão gerou uma série de impactos ao meio ambiente nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Todos os impactos, como os relacionados a biodiversidade aquática e terrestre, qualidade da água de corpos hídricos, assoreamento de rios, estuários e manguezais na foz do rio Doce e unidades de conservação, foram identificados e são abrangidos pelo Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTAC).

As equipes de Meio Ambiente da Samarco vêm avaliando os efeitos da pluma de rejeitos sobre corpos hídricos – em especial nos rios Gualaxo do Norte, do Carmo e Doce – e realizaram ações para revegetação emergencial de margens e resgate de peixes e outros animais ao longo da bacia hidrográfica do rio Doce. Essas medidas atenderam às solicitações de órgãos ambientais federais e estaduais, como Ibama, ICMBio, Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e Instituto Estadual do Meio Ambiente e recursos Hídricos (IEMA).

Entre as diversas ações executadas, a Empresa contratou a Golder Associates Brasil Consultoria e Projetos Ltda. para desenvolver um plano de recuperação e monitoramento na área impactada, desde a barragem de Santarém até a foz do rio Doce. A Golder Associates, empresa de atuação internacional, tem experiências anteriores em planos de recuperação. O plano desenvolvido constitui um arcabouço metodológico que coordena ações de diagnóstico, de recuperação e de monitoramento, estruturadas de forma que os resultados dos diagnósticos e monitoramento obtidos numa fase subsidiem os detalhamentos das ações seguintes. Desta forma, este plano conecta-se diretamente às iniciativas de longo prazo construídas no âmbito do TTAC, ao se basear em uma metodologia adaptativa em que as informações dos monitoramentos e as orientações recebidas das diferentes instituições ambientais são incorporadas na medida em que as ações são detalhadas e executadas.

O primeiro estudo geomorfológico da Golder Associates identificou 16 áreas prioritárias para recuperação e melhorou as estimativas de cheias como suporte para projeto detalhado de engenharia fluvial. As obras realizadas até o momento nos cursos de água principais, por serem emergenciais, focaram a proteção das margens dos rios, a proteção de estradas e a segurança de comunidades.

Recuperação de tributários.

Revegetação G4-EN12, G4-EN26

A Samarco realizou a revegetação emergencial inicialmente prevista ao longo dos rios do Carmo e Gualaxo do Norte, em Minas Gerais. Essa etapa tem os objetivos de melhorar as condições do solo e auxiliar na contenção de sedimentos, de modo a evitar o seu carreamento para os cursos de água, criando bases para sua futura recuperação, reduzindo, ainda, a dispersão de poeira. Para conhecer o estágio mais atualizado das atividades de recuperação planejadas e realizadas, visite o site da Fundação Renova.

Qualidade da água

Desde 6/11/2015, ações de monitoramento da qualidade das águas e sedimentos foram realizadas pela Samarco. Foi definido, em conjunto com órgãos ambientais e demais autoridades envolvidas, um total de 120 pontos de monitoramento, sendo 38 no Rio Doce, 11 em afluentes de rio, 31 referentes a marinho, 26 referentes a turbidez e mais 14 em Bento Rodrigues e ETAs Governador Valadares. São analisados quesitos como qualidade físico-química da água, dos sedimentos e rejeitos, testes ecotoxicológicos, testes de potabilidade da água segundo parâmetros da Portaria 2.914/11 do Ministério da Saúde e qualidade da água para fins de consumo animal e irrigação. As análises são feitas por laboratórios acreditados pelo Inmetro.  

São realizados sobrevoos na região onde a pluma está presente para verificar sua localização e subsidiar as questões ligadas à balneabilidade de praias, às condições para pesca e aos riscos de entrada em estuários e áreas de preservação.

Em agosto/2016, em atendimento à nota técnica DT/Monitoramento Marinho n° 013/2016-IEMA, de 19/07/2016, a periodicidade passou de três sobrevoos por semana da região da foz do rio Doce para dois sobrevoos por semana (às terças e sextas feiras), além de um sobrevoo mensal (geralmente na última sexta feira de cada mês), com abrangência de toda a costa do Espírito Santo.

A ação é conduzida com apoio de um profissional de oceanografia e representantes dos órgãos ambientais (Iema, Ibama ou ICMBio). Com base em registros georreferenciados e observações dos profissionais durante o voo, é gerado um relatório de caracterização da pluma de rejeitos no mar, conforme padrão estabelecido na referida nota técnica.

Equipes fazendo o monitoramento da qualidade da água no rio Doce.

Plano de contingência e preventivo para a estação de chuvas

A Samarco contratou a Golder Associates para elaborar um plano de contingência para o período chuvoso de 2016/2017, finalizado em setembro do ano passado. Este plano tem o objetivo de contemplar todas as diretrizes de monitoramento e controle associadas às obras de recuperação ambiental. O plano aborda as iniciativas e estruturas de contenção de sedimentos e as medidas preventivas e corretivas necessárias para a estação de chuvas.

O plano de ações para o período chuvoso compõe o Plano de Recuperação Ambiental Integrado (PRAI), voltado ao processo de longo prazo de recuperação ambiental. Nele são tratados os pilares de recuperação do rio, segurança das estruturas, contenção e controle da erosão, ampliação da capacidade de armazenamento de rejeitos e embasamento científico da avaliação do processo de recuperação, além das obras relacionadas às estruturas das barragens e da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves - Candonga (leia mais em Sobre o Rompimento da Barragem de Fundão).

Para evitar novos carreamentos de sedimentos para as calhas dos rios, foram realizadas obras para contenção do rejeito entre o Vale de Fundão e o dique S4, localizado próximo ao antigo distrito de Bento Rodrigues e ao Rio Gualaxo. O sistema de contenção de sedimentos implantado pela Samarco em Mariana (MG) trouxe resultados considerados positivos. Já no começo de 2017, o monitoramento da água na área apontou diminuição significativa dos níveis de turbidez (leia mais em Sobre o rompimento da barragem de Fundão).

Além dessa região, foram mapeadas outras áreas, no trecho entre as barragens e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, com maior potencial de disponibilização de sedimentos para os rios por erosão pluvial, considerados prioritários para recuperação.

 Equipes estão trabalhando em campo, em processo de mobilização e intermediação junto aos proprietários das terras.

O plano de recuperação ambiental das áreas impactadas, nos municípios de Mariana, Barra Longa, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado (MG), passa por revegetação imediata das Áreas de Preservação Permanentes (APPs) com plantas herbáceo-arbustivas; recuperação dos tributários (afluentes) impactados, por meio da reconformação das calhas; estabilização dos rejeitos, por meio de enrocamento, bioengenharia e revegetação; reconformação e controle de erosão nas planícies; regularização das margens dos rios principais; revegetação das margens e planícies dos rios impactados e plantio de mata ciliar.

Em caráter emergencial, foi realizado o plantio de gramíneas e leguminosas em 808 hectares de APPs impactadas pela deposição de rejeitos na planície dos rios, visando controle de erosão eólica e carreamento de sólidos com a chuva. Além do plantio, está sendo realizado um trabalho contínuo de manutenção para assegurar a integridade das mudas e áreas plantadas. No último trimestre de 2016 estavam em andamento também os trabalhos de recuperação dos tributários (afluentes) impactados.

Conheça

Todas as ações da Fundação Renova para o período chuvoso em www.fundacaorenova.org/periodo-chuvoso

Biodiversidade G4-EN12, G4-MM2

A Samarco contratou consultoria especializada (Acqua Consultoria e Recuperação de Ambientes Aquáticos Ltda.) para compreender o impacto da passagem da pluma de rejeitos sobre a ictiofauna do rio Doce. O trabalho percorreu o trecho entre sua foz e a usina hidrelétrica Risoleta Neves, município de Santa Cruz do Escalvado (MG), e foi realizado em duas fases – em dezembro de 2015 e em março de 2016. O resultado da primeira expedição confirmou a existência de cardumes, com 471 registros ao longo de 670 quilômetros, em todas as áreas avaliadas, independentemente de terem sido impactadas ou não pela pluma de turbidez.

Para realizar essa análise, utilizou-se um sonar acoplado a um barco propulsionado com um motor de popa. Cada seção do rio, de um total de 20, foi percorrida de forma a cobrir um trajeto em formato de Z, o que permitiu melhor cobertura da área estudada. O percurso foi gravado simultaneamente em GPS (Global Positioning System) e em vídeo, com imagens dos registros do sonar ao longo da coluna de água.

Outras ações relevantes com foco na temática biodiversidade foram demandadas pelos órgãos ambientais e/ou pelos Termos de Compromissos Socioambientais assinados entre a Samarco e o Ministério Público. São elas:

Foram registradas 170 espécies da fauna silvestre, das quais sete são endêmicas da Mata Atlântica e seis são ameaçadas de extinção. As endêmicas são: o gambá (Didelphis aurita), a preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus), o sagui-da-cara-branca (Callithrix geoffroyi), o macaco-prego (Sapajus nigritus), o papagaio-chauá (Amazona rhodocorytha), o tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus) e o araçari-banana (Pteroglossus bailloni). As espécies ameaçadas são: a preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus), o gato-do-mato (Leopardus tigrinus), o gato-maracajá (L. wiedii), o gato-mourisco (Puma yagouaroundi), o maguari (Ciconia maguari) e o papagaio-chauá (Amazona rhodocorytha). Uma grande quantidade de informação sobre a saúde dos animais potencialmente atingidos, bem como dados de mortalidade, foi acumulada. No entanto, existe uma escassez de informações sobre os níveis de elementos tóxicos em espécies silvestres na literatura científica.