Gestão ambiental

O investimento em tecnologia, eficiência operacional e racionalização do uso de recursos naturais figura entre as alavancas de geração de valor para a Samarco – que considera a conformidade e a evolução contínua na área ambiental como um caminho para assegurar a perenidade dos negócios. No atual cenário, essas premissas continuam sendo estratégicas para a retomada da confiança da sociedade e para aprimorar resultados socioambientais e operacionais.

Em 2015, até o rompimento da barragem de Fundão, a Empresa manteve seu planejamento de investimentos, priorizando aspectos como emissões atmosféricas, biodiversidade e água. No ano, foram aplicados mais de R$45 milhões em projetos ambientais; os maiores gastos foram em efluentes industriais e água, na unidade de Ubu, e no prolongamento do quarto extravasor e no extravasor auxiliar da barragem de Fundão, além do sistema de drenagens internas e de ombreiras, na unidade de Germano. De novembro em diante, a equipe de gestão ambiental voltou-se à execução de ações de prevenção, monitoramento e mitigação dos impactos emergenciais decorrentes do rompimento. Em 2016, os investimentos ambientais somaram R$6 milhões, sendo valores desembolsados para as ações de monitoramento e controle ambiental. O valor não considera os investimentos associados à Fundação Renova. G4-EN31

Uso da água

Atualmente, a Empresa possui outorgas de captação superficial em três cursos de água em Minas Gerais – os rios Piracicaba, Matipó e Santa Bárbara, totalizando cerca de 2.600 m³/h. Essa quantidade de água está em linha com os volumes suportáveis pela bacia hidrográfica e não impacta sensivelmente a vazão dos rios. G4-EN22

Após o rompimento da barragem de Fundão, as operações da Empresa foram paralisadas. Com isso, o consumo de água foi reduzido significantemente, ficando restringido basicamente a captações para manutenção dos sistemas.

Uso da água na Samarco (m³) G4-EN8

Fonte 2013 2014 2015 2016
Água de superfície(rios, lagos, áreasúmidas, oceanos) 11.154.153,84 22.833.866 23.904.683 Não houve consumo de água superficial.
Água subterrânea 5.814.007 6.726.975  5.542.482 6.162.823
Total 16.968.160,84 29.560.841 29.447.165 6.162.823

Discriminação das fontes de captação de água (m³) G4-EN9

Fonte¹ (MG) 2013 2014 2015 2016
Rio Piracicaba 3.653.784 2.834.125 2.197.890 Sem consumo significativo
Rio Matipó 592.737 1.335.193 643.668 Sem consumo no ano
Rio Gualaxo 6.907.633 7.465.712  6.757.167 Captação indisponível
Poços Alegria 5.814.007 6.726.975  5.542.482 6.162.823
Rio Brumal - 8.680.039 10.231.667 Sem consumo significativo
Rio Santarém - 2.518.798 4.074.291 Captação indisponível
Total 16.968.161 29.560.841  29.447.165 6.162.823
m³/TMSc² 0,76 1,12 1,16 Não houve produção

¹ Nenhuma destas fontes está dentro de área protegida ou com valor de biodiversidade. Todas possuem importância para as comunidades locais.

Água reciclada e reutilizada G4-EN10

2013 2014¹ 2015 2016
Volume total de água reciclada/reutilizada (m³) 154.256.000 186.061.148 171.294.294 Não houve produção
Índice de recirculação (%) 90,10 86,29 85,58 Não houve produção.

¹Premissas: utilização do balanço de Santarém com parte de água nova (2.518.798 m³/ano) e recirculada (22.666.556,87 m³/ano).

Efluentes

O descarte de efluentes é realizado perto das unidades industriais – em Germano (MG), nos córregos João Manoel e Macacos; em Matipó, no afluente da margem direita do rio Matipó; em Ubu (ES), o efluente excedente é tratado e lançado na Barragem Norte, antes de ser tratado novamente por uma estação de tratamento para então ocorrer o lançamento para a lagoa de Mãe-Bá, em Anchieta. A qualidade da água é monitorada nos córregos mineiros e no rio Piracicaba, incluindo aspectos como traços físico-químicos e biológicos. Em Ubu, a lagoa de Mãe-Bá é submetida à análise nos aspectos físico-químico e biológico, considerando 40 parâmetros.

Descarte total de água, discriminado por qualidade e destinação¹ G4-EN22

2013 Volume (m³) Tratamento Qualidade da água e método de tratamento Destinação
Barragem Norte (Ubu) 4.437.541,44 Tratamento físico-químico Classe 2 segundo a Conama 357/2005 Lagoa de Mãe-Bá
2014 Volume (m³) Tratamento Qualidade da água e método de tratamento Destinação
Barragem Norte (Ubu) 6.493.008,06 Tratamento físico-químico Classe 2 segundo a Conama 357/2005 Lagoa de Mãe-Bá
Barragem de Santarém(Germano)² 6.324.720 Tratamento físico-químico Classe 2 segundo a Copam n. 01, de 5 de maio de 2008 Córrego de Santarém
2015 Volume (m³) Tratamento Qualidade da água e método de tratamento Destinação
Barragem de Santarém(Germano)² 6.324.720 Tratamento físico-químico Classe 2 segundo a Copam n. 01, de 5 de maio de 2008 Córrego de Santarém
Barragem Norte (Ubu) 6.645.303,26 Tratamento físico-químico Classe 2 segundo a Conama 357/2005 Lagoa de Mãe-Bá
2016 Volume (m³) Tratamento Qualidade da água e método de tratamento Destinação
Barragem Norte (Ubu) Não houve lançamento, em função da não operação da Empresa. Tratamento físico-químico Classe 2 segundo a Conama 357/2005 Lagoa de Mãe-Bá

¹A água não é reutilizada por outras organizações.
² Não houve medição na barragem de Santarém (Germano) em 2013. Em 2014, foi utilizada a vazão mínima 722 m³/h no vertimento da barragem.

Estéril e rejeitos

Até novembro de 2015, o rejeito (materiais arenosos e lamas – saiba mais sobre sua composição no capítulo Sobre o rompimento barragem de Fundão) gerado pelas atividades da Samarco era armazenado no sistema das barragens de Germano e de Fundão e do empilhamento na Cava do Germano. A água proveniente do processo era tratada em Estações de Tratamento de Efluentes Industriais (ETEI) e armazenada na barragem de Santarém, de onde parte da água era recirculada para utilização nas plantas de beneficiamento e o restante era restituído ao Córrego de Santarém, conforme outorga ambiental. Quanto ao estéril, o material era disposto ao longo das pilhas de estéril João Manoel e Alegria Sul.

Com o rompimento da barragem de Fundão e os embargos da unidade de Germano, esses processos foram paralisados, sendo que seu retorno está condicionado à futura retomada das operações da Empresa. Em 2015, sob influência do aumento de produção gerado pelo terceiro concentrador – estrutura vinculada ao Projeto Quarta Pelotização (P4P) –, houve crescimento na geração de rejeitos arenosos e lamas.

Quantidades totais (t) G4-MM3

2014 2015 2016
Estéril  5.988.493  10.956.352,00 5.306.423
Rejeitos arenosos 16.426.012  17.493.753,00         -
Lamas¹ 5.112.643   4.959.593,00         -

1 Valor da lama gerada, sendo desconsiderada a lama da Vale em 2015 de 995.669 ton e em 2014 de 1.005.581 ton.

Energia e emissões

Em 2015, a taxa de intensidade energética da Samarco foi de 0,324 GJ/tms¹. Os dados foram medidos de janeiro a novembro, até o rompimento da barragem de Fundão. Em 2016, não houve produção. G4-EN5, G4-EN19

Durante o ano, em função da severa restrição hídrica na região Sudeste, a Samarco registrou redução significativa no volume de energia das usinas hidrelétricas de autoprodução. As unidades são a hidrelétrica de Muniz Freire, no Espírito Santo, e a participação no consórcio da Usina Hidrelétrica de Guilman-Amorim, em Minas Gerais. Juntas, foram responsáveis por 11,79% do consumo anual da Empresa.

Consumo e autoprodução de energia elétrica (GJ) – G4-EN3, G4-EN4

Energia 2013 2014 2015 2016
Consumo anual 7.147.529 8.769.528 2.414.475,234 MWh
8.692.110 GJ
116.402,943 MWh
419.050 GJ
Adquirida de terceiros 6.471.002 9.348.293 2.572.404,51 MWh
9.260.654 GJ
181.238,934 MWh
652.460 GJ
Gerada pela Empresa 1.347.144 1.173.866 243.930 MWh
878.148 GJ
266.635,00 MWh
959.886 GJ
Energia vendida 657.275 1.902.365 401.859,276 MWh
1.446.692 GJ
331.470,99 MWh
1.193.295 GJ

Emissões atmosféricas  G4-EN30, G4-EN19

Um dos principais impactos ambientais da Samarco na unidade de Ubu (ES) é a emissão de material particulado, vinculado aos processos de transporte, estocagem e embarque de pelotas. Nos últimos anos, projetos como a instalação de Wind Fences (barreiras de vento), precipitadores eletrostáticos e a ampliação e modernização da Rede Automática de Monitoramento da Qualidade do Ar permitiram aprimorar o controle das emissões.

Em 2015, a Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo (ALES) instalou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Pó Preto, a fim de apurar denúncias sobre supostos danos ambientais na grande Vitória e na região de Anchieta, no sul do estado. Junto com os esclarecimentos, a Samarco apresentou seu Plano de Gestão Atmosférica, que previa investimentos de mais de R$130 milhões para os próximos cinco anos, a fim de reduzir as emissões de partículas da unidade de Ubu, em Anchieta (ES), em 18,2%. Em 18 de janeiro de 2016, a Samarco protocolou um ofício na ALES informando sobre a suspensão momentânea dos investimentos, em função da paralisação das usinas de pelotização, da mobilização dos empregados na reparação de impactos e da impossibilidade de executar os projetos de melhoria conforme o cronograma traçado.

A Samarco também avalia os impactos de suas emissões por meio do monitoramento periódico da fumaça emitida por veículos e equipamentos de sua frota. As emissões de gases de efeito estufa dos veículos da empresa contratada para o transporte de empregados também são monitoradas e demonstradas anualmente em relatórios no padrão GHG Protocol Brasil.

A significativa diminuição de emissões atmosféricas em 2016 se deve à paralisação das operações da Empresa, em função do rompimento da barragem de Fundão. As emissões contabilizadas para o ano de 2016 se basearam nas atividades realizadas na unidade de Ubu (embarque de pellet feed, repolpamento da bacia de polpa, etc.) e Germano (atividades na mina e nas estruturas remanescentes das barragens).

Precipitadores eletrostáticos 4ª Usina de Pelotização da Samarco, Anchieta-ES.

Impactos na sociedade  G4-SO2

Em função do rompimento da barragem de Fundão, houve também impactos de ruído, emissão de CO2, emissão de material particulado (MP), danificação de vias e interferência no tráfego (lentidão) nas cidades impactadas, como Barra Longa, Mariana, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, em Minas Gerais. O motivo foi o aumento de veículos de diversos portes (caminhonetes, caminhões e tratores) circulando nessas cidades, na zona rural e também nas rodovias para transporte de empregados, material, limpeza de ruas e acessos.

Em 2015, a taxa de intensidade de emissões de gases de efeito estufa alcançou 102 kg CO2e/t de pelotas e finos produzidos (gases incluídos no cálculo: CO2, CH4, N2O, HFCs, PFCs, SF6 e NF3). Em 2016, a taxa de intensidade de emissões de gases de efeito estufa alcançou 123 kg CO2e/t. O índice de emissão (kgCO2e/t) abrange, respectivamente, emissões de escopo 1 e 2 de GEE incluídos no Protocolo de Kyoto (tCO2e) e produção de pellet feed. G4-EN18

Apesar da paralisação das atividades relacionadas ao processo produtivo da Samarco, houve produção de pellet feed e consideráveis emissões a partir do consumo de combustíveis, aquisição de energia elétrica e obras da barragem, que caracterizam os escopos 1 e 2.

Emissões de gases de efeito estufa (tCO2eG4-EN15, G4-EN16, G4-EN17, G4-EN19

Escopo 2013 2014 2015 2016
Escopo 1 1.712.180 2.033.558 2.299.526 9.417
Escopo 2 154.731 319.264 287.037 9.227
Escopo 3 28.294.018 31.823.456 32.703.607 246.150
Total 30.160.928 34.176.278 35.290.171 264.845

¹ Os valores de emissões de gases de efeito estufa foram revisados após auditoria externa de certificação do GHG Protocol. No ano de 2015, não foi realizada a auditoria nem o registro no GHG Protocol Brasil.

No ano de 2016, as emissões de GEE da Samarco foram estimadas em 264.845,14 tCO2e, sendo que 92,9% das emissões totais foram de escopo 3, ou seja, indiretas à operação da Samarco.

Novas fontes de emissão, não relacionadas com a produção da Samarco, foram adicionadas em 2016. Estas novas emissões estão relacionadas às obras emergenciais em curso desde à época do rompimento da barragem de Fundão. Atividades como supressão vegetal, transporte de insumos e pessoas para as obras, consumo de insumos, energia e combustível para as obras compõem o rol de novas fontes incluídas em 2016. As obras de recuperação relacionadas ao rompimento da barragem de rejeitos representaram 13,8% das emissões de escopo 3, estando predominantemente provenientes do uso de combustível e energia, não computados no escopo 1 e 2. 

Emissões em 2016 (tCO2e) G4-EN15, EN16, EN17

Gases incluídos no cálculo G4-EN15, EN16, EN17

Gases Taxa potencial de aquecimento global (ou fonte GWP)
Dióxido de carbono (CO2) 1
Metano (CH4) 25
Óxido nitroso (N2O) 298
Hidrofluorcarbonetos (HFCs) 3 - 14.800
Perfluorcarbonetos (PFCs) 6.500 - 17.700
Hexafluoreto de enxofre (SF6) 22.800
Trifluoreto de nitrogênio (NF3) 17.200

Emissões de substâncias que destroem a camada de ozônio G4-EN20

Quando em operação convencional, o processo de produção de pelotas da Samarco não emite substâncias destruidoras da camada de ozônio. Além disso, a Empresa adquire apenas produtos que atendem à resolução Conama 267/00.

Emissões atmosféricas
NOX, SOx e material particulado (t) G4-EN21

Escopo 2013 2014 2015 2016
NOx 6.998 13.154 2.442 311
SOx 3.314 11.605 5.609 0,48
Material particulado 1.433 3.047 3.622 2.279

Biodiversidade G4-EN12, G4-EN26, G4-MM2

A Samarco está presente em áreas dos biomas Mata Atlântica e Cerrado, ambos considerados hotspots de biodiversidade mundial. Ciente dos impactos gerados por essa proximidade, a Empresa busca investir na recuperação de áreas alteradas, na conservação e preservação de fauna e flora e na consequente manutenção dos serviços ecossistêmicos.

Em linha com a legislação vigente, 20% das propriedades são conservadas como áreas de reserva legal, em Minas Gerais e no Espírito Santo. Em atenção à nova Lei de Proteção da Vegetação Nativa, estabelecida em 2012, foi concluído o processo de relocação das Reservas Legais em Minas Gerais e a homologação no Espírito Santo via Cadastro Ambiental Rural (CAR).

A gestão da biodiversidade na Empresa está relacionada aos potenciais impactos negativos em cada região – aspectos como a supressão da vegetação, em Minas Gerais, e a ictiofauna e a qualidade das águas marinhas e das lagoas costeiras, em Ubu, assim como o rio Pardo, em Muniz Freire. A lagoa de Mãe-Bá, em Anchieta (ES), com 5.751.455,86 de m³, é um corpo receptor dos efluentes tratados da Empresa.

A seguir, alguns programas de destaque:

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Sobre os projetos emergenciais relacionados ao rompimento da barragem de Fundão: clique aqui.