Gestão e estratégia

A gestão com foco em ética e integridade é um tema de alta relevância para a Empresa, figurando como peça-chave para a reconstrução de confiança com a sociedade brasileira.

Criado em 2002, o Código de Conduta é o principal guia para empregados e contratados, abordando temas como meio ambiente, relações com partes interessadas (clientes, governos, fornecedores etc.), ética, corrupção e saúde e segurança. Uma nova revisão do documento será realizada em 2017. Além do Código, outros três documentos são referência na gestão do tema: a Política de Prevenção a Corrupção e Fraudes; a Política Antitruste; e a Política de Oferta e Recebimento de Brindes, Presentes e Hospitalidades. São feitos treinamentos periódicos para disseminação dos conteúdos. G4-56, G4-SO4

A Samarco possui um Programa de Compliance, com políticas, canais de comunicação e um calendário anual de treinamentos que abordam assuntos como corrupção, prevenção a fraudes e ética nos negócios.

Ouvidoria e Comitê de Conduta G4-56, G4-HR3, G4-SO5

Para monitorar o cumprimento de políticas e gerenciar a aplicação do Código de Conduta, é mantida uma Ouvidoria – área com equipe dedicada a disponibilizar canais, apurar e acolher denúncias e fazer seu devido tratamento, mitigando riscos e mobilizando empregados e parceiros conforme as normas internas e leis aplicáveis ao negócio.

A Ouvidoria está disponível via telefone (0800 377 8002), e-mail (ouvidoria@samarco.com/ compliance@samarco.com), e formulário eletrônico no site www.samarco.com/ouvidoria/ (em inglês e português). As denúncias mais sensíveis são direcionadas ao Comitê de Conduta, composto pelo diretor-presidente e por representantes das áreas de Recursos Humanos, Jurídico, Compliance e Ouvidoria.

Direitos humanos na cadeia de valor G4-42, G4-56

A Samarco também dissemina e orienta sua atuação na cadeia de valor, com base em temas de ética e conduta e direitos humanos. Além de disponibilizar quatro políticas para os parceiros de negócios, inclusive como parte do processo de contratação, realiza ações preventivas de verificação de requisitos de direitos humanos junto aos fornecedores desde 2015. O nosso Código de Conduta contém, além de outras informações, diretrizes relacionadas a direitos humanos. A concordância com as disposições previstas no Código é condição para que as empresas possam finalizar o cadastro e que estejam aptas a fornecer para a Samarco.

Planejamento estratégico

Para consolidar o planejamento de longo prazo, realizar a gestão de riscos e responder aos desafios de mercado, a Samarco mantém ciclos periódicos de revisão da sua estratégia. Nos últimos anos, foram feitos investimentos para adaptar a Empresa a uma nova realidade de mercado, tomando como premissas a alta produtividade, a redução responsável dos custos de produção e a garantia dos padrões de qualidade.

Em 2015, antes do rompimento da barragem de Fundão, a estratégia passava por um novo ciclo de revisão, com base na metodologia Capability Based Planning (CBP). O objetivo era preparar a Samarco para um ambiente de negócios mais complexo, com base no desenvolvimento de três capacidades necessárias ao contexto: Adaptabilidade, Sustentabilidade e Governança.

Apesar de o trabalho ter sido interrompido, os conceitos desenvolvidos mostram-se compatíveis com a situação atual e o desafio de viabilizar a retomada da Empresa e a reconstrução de confiança junto à sociedade, ao poder público, aos empregados, aos parceiros de negócios e aos clientes.

O que mudou na visão de futuro da Empresa?

 O rompimento da barragem de Fundão desafia a Samarco a acelerar a busca por uma nova forma de operar, mais segura, reduzindo a geração de rejeitos e desenvolvendo métodos mais evoluídos para a sua destinação e aproveitamento. Além disso, um novo compromisso se soma aos desafios já presentes: gerar caixa* suficiente para sustentar os investimentos de remediação e compensação dos impactos, provendo recursos financeiros à Fundação Renova.

*Nota: em linha com o definido no TTAC, caso a Samarco não possa financiar os programas de remediação e compensação, a BHP Billiton e a Vale fornecerão os recursos financeiros requeridos.

Gestão de riscos G4-2, G4-14

2015 foi o ano em que a Samarco vivenciou, na prática, os impactos da materialização de um dos principais riscos do negócio: o rompimento de uma barragem de rejeitos. Esse fato acabou se revelando uma tragédia ambiental que marcou a história da Samarco, exigindo, assim, enorme capacidade de resposta e expondo a Empresa a uma série de outros riscos, relacionados à reputação, às licenças de operação e à sua própria continuidade.

O modelo de gestão de riscos construído pela Samarco adota práticas de referência de mercado (baseado no modelo Enterprise Risk Management – ERM), do Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission (COSO), e diretrizes dos acionistas Vale S.A. e BHP Billiton Brasil. A Política de Gestão de Riscos e o seu manual estabelecem os critérios de avaliação e monitoramento dos riscos.

A gestão de riscos abrange as etapas de identificação, avaliação, classificação e monitoramento  dos riscos que podem impactar a Empresa e os públicos de relacionamento envolvidos.  As avaliações são conduzidas em seminários multidisciplinares, com mapeamento de causas, impactos, controles, definição de probabilidade e severidade daquele risco em referência se materializar, e ações para melhoria do ambiente de controle ou redução do nível do risco.

A Samarco, até 2015, classificava os riscos conforme sua natureza e seu nível de criticidade/materialidade. Os riscos eram organizados em uma estrutura analítica de acordo com a cadeia produtiva e unidades de negócio, além de serem categorizados em Estratégicos, Operacionais e de Projetos.

Após o rompimento da barragem, os riscos continuam sendo classificados conforme sua natureza e nível de criticidade/materialidade, porém sua organização foi reformulada em uma estruturação denominada “clusters”, que considera o novo ambiente de negócio da Empresa. Estes “clusters” dividem-se nos temas: Obras Geotécnicas, Plano de Continuidade do Negócio, Financeiro, Legal e Compliance.

Até 2015, eram conduzidos processos de revisão anual para os riscos do negócio (operacionais e estratégicos). A partir de 2016, para adequar ao novo cenário da Samarco, o processo de revisão evoluiu para atualizações em torno de três meses ou após algum evento significativo que possa afetar a última avaliação de risco realizada. Em 2015, foram realizados mais de 47 seminários de avaliação de riscos, com participação de aproximadamente 450 empregados de áreas-chave. No total, foram 26 riscos considerados materiais e 49 não materiais; foram elencadas mais de 440 iniciativas para seu tratamento. Em 2016, estes números aumentaram substancialmente, chegando a um número de mais de 87 seminários de avaliação de riscos, envolvendo mais de 850 empregados e empresas terceirizadas, totalizando 81 riscos materiais e 6  riscos não materiais. Em linha com estas atividades, mais de 370 iniciativas e ações para tratamento das fragilidades encontradas nestas avaliações foram executadas.

A gestão de riscos é um processo fundamental para sustentar o retorno da Empresa, fortalecendo, cada vez mais, a gestão e planejamento futuro do negócio da Samarco. Controlar e gerenciar os riscos – não apenas os relacionados às barragens – é um requisito fundamental para garantir a continuidade das operações da Empresa.

Alguns exemplos de temas e riscos monitorados

Riscos em barragens

Projetar, construir e operar as estruturas de barragens da Samarco em consonância com as obrigações legais e práticas do setor são premissas historicamente adotadas.

Até 2015, complementarmente à avaliação de riscos de barragens realizadas com base nas práticas de riscos da Empresa, era também utilizada a metodologia Failure Modes and Effects Analysis (FMEA). As estruturas avaliadas eram, ainda, regularmente submetidas a auditorias técnicas e de terceiros (ITRB, Design Review, VIPs – Value Improvement Practices – e IPA, entre outras).

Os riscos de barragens nas fases de projeto e construção eram gerenciados pela governança de projetos, com adoção da metodologia Front-End Loading (FEL), que estabelece critérios de maturidade para o seu prosseguimento. Além disso, eram realizadas auditorias externas (IPA).

Para a gestão dos riscos relacionados à fase de operação, era utilizada a metodologia de riscos corporativos da Samarco, com reavaliações em ciclos anuais até 2015; a partir de 2016, elas foram intensificadas em adequação ao novo cenário. Para realização dos seminários, eram consultados documentos inerentes à operação das estruturas, como o Plano de Disposição de Rejeitos (PDR); o guia de conformidade para barragens; e o Plano de Ação de Emergência para Barragem de Mineração (PAEBM).

Entre 2011 e 2015, houve cinco avaliações de riscos ligadas à operação de barragens, com mapeamento de controles preventivos e mitigatórios e identificação de ações para melhoria. Em 2016, houve um aumento considerável de avaliações de risco que acompanharam a evolução das novas estruturas geotécnicas e das remanescentes após o rompimento da barragem. Foram mais de 18 avaliações e reavaliações de riscos realizadas pela equipe da Samarco, sem considerar as diversas avaliações de entidades nacionais e internacionais que adicionaram mais elementos à avaliação conduzida internamente pela Empresa.

Posicionamento de sustentabilidade

Por fazer parte de um setor que gera impacto, mas que também é capaz de contribuir com o progresso e o desenvolvimento tecnológico, humano e socioeconômico dos territórios da Área de Influência Direta, a Samarco mantém, há mais de uma década, mecanismos de diálogo e engajamento para os públicos de relacionamento. Além disso, é signatária de compromissos, do Pacto Global e de acordos voltados ao desenvolvimento sustentável (veja quadro).

Ajustar o modelo de negócios a princípios de sustentabilidade, certamente, é uma tarefa desafiadora. Desde 2012, a Empresa vinha adotando como referência para isso o Modelo de Sustentabilidade – uma ferramenta de gestão que visava à construção de relações de confiança com a sociedade, a partir de quatro pilares: liderança pelo exemplo, inovação e tecnologia, redes colaborativas e empreendedorismo responsável.

A Samarco trabalhou com a premissa de que a sociedade participará cada vez mais do processo de decisão das empresas, a fim de influenciar e fazer a diferença na estratégia e no plano operacional delas para assegurar a geração de valor compartilhado, a equidade e uma licença social para que a indústria opere e cresça.

Nos últimos anos, a Empresa buscou se preparar para esse novo cenário, conectando as diretrizes do Modelo de Sustentabilidade ao mapa estratégico; um exemplo é o reforço dos estudos voltados à inovação e à ecoeficiência como parte do desenvolvimento de vantagens competitivas (leia mais em Nosso compromisso com a sociedade brasileira). O rompimento da barragem de Fundão, no entanto, impôs uma ampla reflexão a respeito do modelo e sua aplicação em uma nova realidade voltada para a construção de um propósito comum, a ser discutido pela Empresa com a sociedade.

Compromissos e pactos    G4-15, G4-16

Pacto Global – a Samarco é signatária dos dez princípios da Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2002; neste relatório, reporta seus principais avanços e projetos. Até o rompimento da barragem, a Empresa fazia parte do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD); em 2016, deixou de compor o grupo, estando seu retorno condicionado à evolução das tratativas relacionadas à gestão dos impactos.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – a Samarco está comprometida com esse conjunto de compromissos, lançado em 2015, em sequência aos Objetivos do Milênio (ODM), propostos pela ONU em 2000.

Contribuição Empresarial para a Promoção da Economia Verde e Inclusiva – divulgada na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), em 2012, a carta foi assinada pela Empresa.

Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas – em 2009, a Samarco assinou o documento, junto de outras 21 empresas comprometidas com a redução de suas emissões de gases de efeito estufa.

Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção – a assinatura do Pacto pela Samarco ocorreu em 2006, comprometendo a companhia a aderir às melhores práticas de combate e prevenção da corrupção.

Temas materiais de sustentabilidade

Como parte da adesão da Samarco à metodologia de relato da Global Reporting Initiative (GRI), regularmente a Empresa realiza processos de materialidade – atividade que combina estudos, análises documentais e consultas a públicos de relacionamento internos e externos, a fim de identificar os impactos e tópicos sociais, econômicos e ambientais mais relevantes para a Empresa.

Em 2016, sob impacto do rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, optou-se por se realizar uma revisão estratégica da atual matriz de materialidade – elaborada em 2014, a partir de um processo de consulta que, na ocasião, incluiu entrevistas com diretores, gerentes gerais e empregados da Samarco, painéis com diversos públicos (comunidade, poder público e fornecedores) em Minas Gerais e Espírito Santo e uma pesquisa online, em um total de mais de 200 pessoas envolvidas ou consultadas. G4-24, G4-25, G4-26

Reconhecendo a necessidade de revisitar os temas prioritários, em função do rompimento da barragem, definiu-se como foco, em 2016, compreender que assuntos associados ao atual momento da Empresa ainda não constavam da materialidade. Para isso, foi realizado um estudo, que contemplou os seguintes insumos documentais:

Com isso, chegou-se a uma nova lista de temas, validada e analisada por um comitê de lideranças da Empresa, que ressalta a importância de aspectos como transparência e governança dos programas de recuperação socioeconômica e socioambiental; relações com comunidades e governos; sustentabilidade econômico-financeira; e prestação de contas sobre os impactos do rompimento da barragem na biodiversidade, nas economias das regiões impactadas, no quadro de empregados e no futuro da Empresa como um todo (veja quadro). G4-43

Baseados nos tópicos, foram definidos indicadores que pudessem expressar os desafios e projetos em cada frente de ação. Com isso, chegou-se a um escopo de indicadores considerados materiais (conectados aos temas de 2016) e alguns não materiais, mas que têm importância para a prestação de contas sobre aspectos ambientais, trabalhistas e sociais diversos:

*O indicador não material NR0302-14 (número e duração dos atrasos não técnicos) é tratado no texto de forma transversal.

A Empresa está ciente de que o passo dado em 2016 ainda é inicial, refletindo uma organização em reconstrução, que precisa dialogar com a sociedade e entender as prioridades e demandas mais relevantes a partir da voz ativa dos públicos com os quais se relaciona. Além disso, o foco dos temas materiais atualizados se dá, em muitos casos, nas ações socioambientais e socioeconômicas pós-rompimento – que fazem parte do escopo deste relatório somente até agosto de 2016, quando a Fundação Renova assumiu a execução direta dos programas.

Em função disso, e do atual momento vivido pela Samarco, a expectativa é realizar, em 2018, um novo processo de materialidade, incluindo consultas externas e painéis multistakeholder, definindo, assim, uma nova matriz de temas para os próximos anos.

Temas materiais 2016 O que faremos G4-27 Aspectos materiais G4-19 Quem impactamos G4-20, G4-21
Transparência na comunicação e nos negócios Comunicação clara sobre as ações mitigatórias, presentes e futuras, e o andamento sobre as investigações da causa do rompimento da barragem; divulgação difusa e acesso fácil às informações, por meio de site próprio, imprensa etc. Conformidade
Restabelecimento
Mecanismos de queixas e reclamações relativas a impactos ambientais e sociais 
Comunidade
Poder público
ONGs e entidades
Empregados
Acionistas
Contratados
Rejeitos: gestão da deposição e mitigação dos impactos causados pelo rompimento Indicadores para acompanhar a confiabilidade das barragens; indicadores, metas e divulgação do andamento sobre a remoção de rejeitos dos locais impactados; reaproveitamento Efluentes e resíduos  Comunidade
Poder público
ONGs e entidades
Meio ambiente 
Mitigação e recuperação da biodiversidade terrestre e aquática Indicadores para acompanhar os programas e iniciativas de recuperação ambiental, tanto terrestre quanto aquática, com foco na bacia do rio Doce. Água
Biodiversidade
Efluentes e resíduos
Produtos e serviços
Geral
Meio ambiente
Comunidade
Poder público
ONGs e entidades
Engajamento e participação das comunidades nas tomadas de decisão Participação de representantes das comunidades impactadas em discussões e tomadas de decisão, além de diálogo e engajamento contínuos Comunidades locais Comunidade
Poder público
ONGs e entidades
Geração de empregos e desenvolvimento da economia local Fomento à estruturação de novos negócios, independentes da mineração, e retorno das condições socioeconômicas das regiões impactadas Presença no mercado
Impactos econômicos indiretos
Comunidades locais
Comunidade
Empregados
Contratados
Fornecedores
Recuperação da infraestrutura das comunidades impactadas Recursos para infraestrutura pública, visando atender tanto as necessidades das novas atividades econômicas (melhorias nas rodovias, telecomunicações etc.) como as das comunidades, como moradia, escolas e serviços de saúde Impactos econômicos indiretos
Transportes
Comunidades locais
Restabelecimento
Comunidade
Sustentabilidade Financeira Viabilidade econômico-financeira para a Samarco voltar a operar, gerando receita aos acionistas e recursos financeiros para trabalhar na mitigação dos impactos causados pelo rompimento da barragem Desempenho econômico Empregados
Contratados
Alta liderança
Fornecedores
Clientes
Acionistas