Resultado da investigação

A fim de entender as razões que levaram à tragédia, logo após o rompimento da barragem de Fundão, a Samarco, a Vale e a BHP Billiton solicitaram uma investigação ao escritório de advocacia norte-americano Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP, sediado em Nova York. O escritório foi contratado sob a premissa de absoluta independência; a Samarco colaborou plenamente com a investigação externa, fornecendo todas as informações e integral acesso às suas unidades e aos seus empregados. Além disso, é responsabilidade da Samarco continuar contribuindo com as investigações realizadas pelas autoridades competentes.

Na condução da investigação independente, a Cleary Gottlieb desenvolveu um painel com especialistas da área de geotecnia do Brasil, do Canadá e dos Estados Unidos para dar suporte às análises. O líder deste painel foi o professor Norbert Morgenstern, uma autoridade internacionalmente reconhecida em engenharia geotécnica, professor emérito de Engenharia Civil na Universidade de Alberta. Foram realizadas inspeções de campo, análises de dados, testes de laboratório, pesquisas de modelagem e entrevistas com os envolvidos.

A divulgação pública dos resultados foi realizada ao final do mês de agosto de 2016, em Nova Lima (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte, em coletiva de imprensa com participação de executivos da Samarco e das acionistas.

Segundo o laudo final da investigação, de teor técnico e extenso, o primeiro incidente na barragem de Fundão ocorreu em 2009, quando se identificou que o dreno de fundo do dique de partida apresentava dificuldades técnicas para funcionar conforme preconizado no projeto inicial. Após extensa discussão e análise técnica, a solução reputada adequada envolveu uma revisão do projeto pela empresa projetista que, então, alterou o conceito anteriormente proposto por meio da construção de um tapete drenante em uma elevação superior, em substituição ao dreno de fundo. Essa mudança se mostrou fundamental, pois passou a permitir e aceitar o fenômeno de saturação da área de praia, introduzindo o potencial de liquefação da areia em uma barragem que, até então, havia sido projetada com uma drenagem que se comprometia com a manutenção da área da praia seca.

O segundo incidente relatado pelos especialistas ocorreu ao longo dos anos de 2011 e 2012, quando foi identificado que a galeria principal deveria ser plugada e, para tanto, seria necessário abrir um canal extravasor pela ombreira esquerda para garantir o escoamento de água das chuvas. Identificou-se que, durante este período, determinada quantidade de lama passou por este canal junto da água e chegou à área da praia da barragem.

Já entre 2011 e 2012, foram identificadas questões estruturais relacionadas à galeria secundária, localizada na ombreira esquerda, que levaram à conclusão de que não poderia ser colocado peso adicional sobre aquela galeria e tornaram necessária sua plugagem nos mesmos moldes da galeria principal. A crista da ombreira esquerda foi, então, provisoriamente movida para trás, até que a plugagem com concreto pudesse ser concluída. Embaixo dessa região, que ficou conhecida como recuo, identificou-se, posteriormente ao rompimento, a presença de lentes de lama.

Durante os anos de 2013 e 2014, surgências na superfície da barragem começaram a aparecer na região do recuo da ombreira esquerda em várias elevações. Em agosto de 2014, o tapete drenante , responsável pela drenagem dos rejeitos, chegou à sua capacidade máxima. Também se concluiu que, ao longo desse período, a porção de lama localizada abaixo do maciço estava respondendo à carga crescente oriunda dos alteamentos, pressionando os rejeitos arenosos e empurrando-os na direção da crista da barragem, ao mesmo tempo em que aumentava a saturação da estrutura.

Devido a este processo de carregamento contínuo, as lamas se comprimiram e, ao mesmo tempo, também se deformaram lateralmente, sendo espremidas para fora como pasta de dente saindo de um tubo, em um processo conhecido como extrusão lateral. As areias imediatamente acima foram forçadas a se ajustar a este movimento e sofreram uma redução lateral de confinamento.

Isso permitiu que as areias, de fato, fossem dragadas e perdessem a coesão neste processo. Outro aspecto relacionado à ruptura foi a série de três pequenos abalos sísmicos que ocorreu, aproximadamente, 90 minutos antes. A modelagem de computador mostrou que as forças do terremoto produziram um incremento adicional de movimento horizontal nas lamas, que afetou de forma correspondente as areias sobrepostas. Esses movimentos adicionais, embora pequenos e associados a incertezas, provavelmente aceleraram o processo de rompimento.

A Samarco e suas acionistas estão analisando todos os resultados, que também foram compartilhados com a Polícia Federal e o Ministério Público, entre outros órgãos envolvidos com os processos de investigação. Além de fornecer os subsídios necessários aos inquéritos policiais em andamento e as medidas judiciais cabíveis, as informações fornecidas auxiliarão a Empresa e o setor mineral como um todo na busca por padrões mais elevados de segurança operacional, para que ocorrências dessa natureza nunca mais se repitam.

Conheça

O relatório completo da investigação realizada pela Cleary Gottlieb sobre o rompimento da barragem: http://fundaoinvestigation.com

Denúncia do Ministério Público Federal

Em 20 de outubro de 2016, o Ministério Público Federal em Minas Gerais divulgou os resultados da força-tarefa para investigar o rompimento da barragem de Fundão. De acordo com os procuradores da república, a denúncia narra um histórico de todos os problemas ocorridos em Fundão, desde seu licenciamento. Foram denunciadas, ao todo, 26 pessoas, sendo quatro pessoas jurídicas – Samarco, Vale, BHP Billiton e VOGBR – e 22 pessoas físicas. No mês seguinte, a Justiça Federal em Ponte Nova recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, tornando as partes denunciadas rés por crimes ambientais. A Samarco refuta a denúncia do Ministério Público Federal, que desconsiderou e desprezou em absoluto todos os esclarecimentos, provas e depoimentos apresentados ao longo das investigações iniciadas logo após o rompimento da barragem de Fundão.

Recuperação de áreas degradadas: o futuro do vale de Fundão    G4-EN12

A Samarco protocolou, no início de 2017, na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) de Fundão.

Contendo parte das ações reparatórias pelo rompimento da barragem, o documento apresenta diretrizes para a recuperação ambiental do local, incluindo a estabilização definitiva das encostas, das estruturas e dos rejeitos remanescentes, além de contemplar a revegetação da área, com base em estudos geológicos, de solos e seleção de plantas adequadas aos diferentes compartimentos ambientais abrangidos.

As ações previstas no PRAD dependerão da análise e aprovação da Semad, órgão responsável por fiscalizar e autorizar as atividades para a região. A proposta da Samarco inclui a utilização de material arenoso, estabilizando a área e criando uma superfície regular e segura, que permitirá o acesso para as ações de revegetação.

As estruturas existentes no Complexo de Germano estão estáveis; no entanto, há 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos remanescentes em Fundão que precisam ser estabilizados definitivamente. O preenchimento com material arenoso e posterior revegetação foi considerado pela Samarco a forma mais eficiente para viabilizar a recuperação ambiental da área.

 Caso o PRAD seja aprovado, o material arenoso será contido dentro de Fundão pelo dique denominado “Eixo 1”, que será construído com metodologia de solo compactado. A estrutura não utilizará a mesma tecnologia de construção da antiga barragem de Fundão, de alteamento a montante com uso de rejeitos.